Situação indefinida na Venezuela
O impasse permanece inalterado desde o último domingo de julho passado, 28, quando o povo venezuelano foi às urnas para escolher o Presidente da República Bolivariana de Venezuela. Nesta primeira segunda-feira de agosto, 5, o candidato Edmundo González Urrutia,
divulgou uma carta enfatizando que "o mundo reconheceu o triunfo das
forças democráticas" e fez um "apelo aos militares e policiais para que
se coloquem ao lado do povo e de suas próprias famílias sem violação aos
direitos humanos". A carta conclui com a proclamação de Edmundo
González Urrutía como presidente eleito da República. As manifestações ocorridas a partir do dia seguinte à eleição, onde tanto o candidato da oposição, o diplomata Edmundo González, como o candidato à reeleição, o Presidente Nicolás Maduro anunciaram terem vencido foram muito grandes e violentas, havendo mais de 2 mil presos por terem apoiado o candidato opositor. Com exceção da China, Coreia do Norte, Cuba, Nicarágua e Rússia, a grande maioria dos países membros da comunidade internacional, incluindo as instituições multilaterias, Organização dos Estados Americanos (OEA) e a União Europeia, recusaram-se a reconhecer a vitória de Maduro para um terceiro mandato consecutivo. O Governo do Presidente Biden já reconheceu a vitória de Edmundo González.
Confira o teor da carta com a proclamação de Edmundo González Urrutía como presidente eleito da República.
Venezuelanos, cidadãos militares e funcionários policiais,
A Venezuela e o mundo inteiro sabem que nas eleições do último 28 de julho nossa vitória foi avassaladora. Desde o mais humilde cidadão, testemunha, membro de mesa, oficial das Forças Armadas, policial, até os organismos internacionais e governos, sabem disso. Com as atas em mãos, o mundo viu e reconheceu o triunfo das forças democráticas.
Fizemos a nossa parte. Realizamos a mais formidável mobilização cidadã para que a vitória eleitoral fosse inquestionável. É uma vitória obtida com enorme energia e firmeza, e a fizemos em paz. Obtivemos 67% dos votos, enquanto Nicolás Maduro obteve 30%. Essa é a expressão da vontade popular. Ganhamos em todos os estados do país e na quase totalidade dos municípios. Todos os cidadãos são testemunhas dessa realidade.
No entanto, Maduro se recusa a reconhecer que foi derrotado por todo o país e, diante dos legítimos protestos, lançou uma brutal ofensiva contra líderes democráticos, testemunhas, membros de mesa e até mesmo contra o cidadão comum, com o absurdo propósito de querer ocultar a verdade e, ao mesmo tempo, tentar acuar os vencedores.
Fazemos um apelo à consciência dos militares e policiais para que se coloquem ao lado do povo e de suas próprias famílias. Com essa massiva violação dos direitos humanos, o alto comando se alinha com Maduro e seus vis interesses. Enquanto vocês são representados por esse povo que saiu para votar, por seus colegas das Forças Armadas Nacionais, por seus familiares e amigos, cuja vontade foi expressa em 28 de julho e vocês conhecem.
Estamos cientes de que em todos os componentes das Forças Armadas Nacionais está presente a decisão de não reprimir os cidadãos que pacificamente reivindicam seus direitos e sua vitória. Os venezuelanos não são inimigos das forças. Com essa disposição, os chamamos a impedir as ações de grupos organizados pela cúpula madurista, uma combinação de esquadrões militares e policiais e grupos armados à margem do Estado, que espancam, torturam e também assassinam, sob a proteção do poder maligno que representam.
Vocês podem e devem interromper essas ações imediatamente. Instamos vocês a impedir a desenfreada repressão do regime contra o povo e a respeitar, e fazer respeitar, os resultados das eleições de 28 de julho. Maduro deu um golpe de Estado que contraria toda a ordem constitucional e quer fazê-los seus cúmplices.
Vocês sabem que temos provas irrefutáveis da vitória. O relatório do Centro Carter é contundente sobre as condições e o resultado eleitoral, enquanto Maduro tenta fabricar resultados quando, além disso, o prazo legal para a publicação dos mesmos expirou.
Membros das Forças Armadas e dos corpos policiais, cumpram com seus deveres institucionais, não reprimam o povo, acompanhem-no.
Da mesma forma, pedimos a todos os venezuelanos que têm mães, pais, filhos, irmãos, parceiros que são membros das Forças Armadas Nacionais ou funcionários policiais, que exijam que não reprimam, que ignorem ordens ilegais e que reconheçam a Soberania Popular, expressa nos votos do domingo, 28 de julho.
O novo governo da República, eleito democraticamente pelo povo venezuelano, oferece garantias àqueles que cumprirem com seu dever constitucional. Além disso, destaca que não haverá impunidade. Este é um compromisso que assumimos com cada um dos venezuelanos.
Nós ganhamos esta eleição sem discussão alguma. Foi uma vitória eleitoral, cheia de energia e com uma organização cidadã admirável, pacífica, democrática e com resultados irreversíveis. Agora cabe a todos nós fazer respeitar a voz do povo. Procede, imediatamente, a proclamação de Edmundo González Urrutía como presidente eleito da República.
O Brasil, maior economia da América do Sul, está sendo cobrado para
atuar na solução do conturbado cenário político-diplomático do país
vizinho. Uma carta assinada, em conjunto, por ex-primeiros-ministros de
Espanha e ex-presidentes de nações da América Latina foi enviada ao
Presidente da República apelando ao
governante brasileiro pelo "inquestionável compromisso com a democracia e
a liberdade, as mesmas de que usufruem seu povo, e a fazê-la prevalecer
também na Venezuela". Sem meias palavras, a carta diz "O que está
acontecendo é um escândalo. Todos os governos americanos e europeus
sabem disso. Admitir tal precedente ferirá mortalmente os esforços que
continuam a ser feitos com tanto sacrifício nas Américas para defender a
tríade da democracia, do Estado e dos direitos humanos".


Absurda essa cegueira de alguns brasileiros que se recusam a sequer estranhar o comportamento do torturador Maduro.
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