Saudade: Rosa Magalhães
A maior campeã do carnaval carioca. A professora dos sambistas e da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Rosa Lúcia Benedetti Magalhães entrou para a história pela erudição no seio da festa mais popular do Brasil. Com seu estilo único, criatividade e senso de humor, Rosa Magalhães transitou da Academia para os barracões das escola de samba do Rio de Janeiro com uma competência incomparável. A estreia no mundo do samba foi nos Acadêmicos do Salgueiro, levada por Fernando Pamplona, o professor da Escola de Belas Artes que além de transformar-se em consagrado campeão do carnaval na agremiação Vermelho e Branco também revelou ser a aluna Rosinha um grande talento para a festa de Momo.
Rosa foi criada em um ambiente de alta cultura. O pai, Raymundo Magalhães Junior, era jornalista, escritor, dramaturgo, historiador, membro da Academia Brasileira de Letras. A mãe, Lúcia Matias Benedetti, escritora de Literatura Infantil, teatróloga e tradutora. Com todo esse histórico familiar, Rosa conhecia os mais variados temas e soube transformá-los em enredos que encantavam quem nunca fez um curso universitário. Cada desfile assinado por Rosa era uma de relevância histórica, de um detalhismo nas fantasias e nas alegorias que impressionavam pela extrema beleza e bom gosto. Foi quem primeiro cuidou para que o fundo das alegorias tivessem o mesmo acabamento da parte mais visível e televisiva dos carros alegóricos. Conquistou o primeiro campeonato, junto com Lícia Lacerda, em 1982. O enredo Bumbum Paticumbum Prugurundum é um dos clássicos da história do carnaval brasileiro e mantém-se como o último campeonato do Império Serrano no grupo de elite.
Carnavalesca da Estácio de Sá no final da década de 1980, retornou ao Salgueiro, onde assinou os desfiles de 1990 e 1991. Vice-campeã no Salgueiro com o antológico Me masso se não passo pela Rua do Ouvidor, foi contratada pela Imperatriz Leopoldinense para o carnaval de 1992. Na Verde e Branco, viveu os seus mais gloriosos anos. Quem quisesse ganhar o título de campeã do carnaval precisava ter feito um desfile melhor que o da Imperatriz. Conquistou o bicampeonato em 1994/1995 e o tricampeonato em 1999/2000/2001. Até os títulos dos enredos era um banho de cultura para os foliões: Não existe pecado do lado de baixo do Equador (1992), Marquês que é marquês do sassarico é freguês (1993), Catarina de Médicis na corte dos tupinambôs e tabajeres (1994), Mais vale um jegue que me carregue, que um camelo que me derrube lá no Ceará (1995), Imperatriz Leopoldinense honrosamente apresenta "Leopoldina, a Imperatriz do Brasil" (1996), Brasil mostra a sua cara em... Theatrum Rerum Naturalium Brasiliae (1999), Quem descobriu o Brasil, foi seu Cabral, no dia 22 de abril, dois meses depois do carnaval (2000), Cana-caiana, cana roxa, cana fita, cana preta, amarela, pernambuco... Quero vê descê o cuco, na pancada do ganzá (2001), Goitacazes... Tupi or not tupi in a south american way Rosa Magalhães (2003), Uma delirante confusão fabulística (2005).
Permaneceu na Imperatriz até 2009. Na União da Ilha do Governador, de volta ao Grupo Especial em 2010, o trabalho de Rosa Magalhães garantiu a permanência da agremiação. Por pouco não conquistou o campeonato na Vila Isabel em 2012 com o antológico Você semba lá... Que eu sambo cá! O canto livre de Angola. O título veio em 2013 com o enredo A Vila canta o Brasil celeiro do mundo - Água no feijão que chegou mais um... e da mesma forma que ninguém, além dos jurados, conseguiu explicar o terceiro lugar em 2012, a carnavalesca e até o casal de mestre-sala e porta-bandeira saíram da Vila Isabel. Rosa foi ainda carnavalesca da Mangueira, São Clemente, Portela e Paraíso do Tuiuti. Marcou a história da São Clemente com o enredo A incrível história do homem que só tinha medo da Matinta Pereira, da Tocandira e da Onça Pé de Boi! Era a homenagem da aluna ao professor Fernando Pamplona.
Rosa Magalhães foi sepultada nesta sexta-feira, 26, no Cemitério São João Batista, em Botafogo, Rio de Janeiro. Coincidência, no dia da abertura da Olimpíada de Paris. Na Olimpíada do Rio de Janeiro em 2016, os figurinos da cerimônia de abertura foram assinados pela maior carnavalesca da história, detentora de sete títulos de campeã na Marquês de Sapucaí.
Rosa Magalhães
(Fotos Wigder Frota)
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Que descanse em paz🙏
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