E lá vou eu, pela imensidão...



A luz raiou pra clarear a poesia
Num sentimento que desperta na folia
Amor ! Amor ! Amor sorria, ôôô
Um novo dia despertou 
E lá vou eu
Pela imensidão do mar
Esta onda que borda a avenida de espuma
Me arrasta a sambar
(Das maravilhas do mar, fez-se o esplendor de uma noite, Portela, carnaval de 1981)

Versos de rara beleza suficientes para continuarmos a aplaudir as poesias declamadas por David Corrêa no palco do carnaval. Sim, além de compositor, David Antonio Corrêa, nascido em São João de Meriti, em 1937, foi cantor. E na Portela, onde era membro da Ala dos Compositores, foi tetracampeão de sambas-de-enredo dos carnavais de 1979, 1980, 1981 e 1982, sem esquecermos os de 1973, 1975 e 2002. Foi também campeão de samba no Salgueiro (onde afirmou Meu peito é um clarim de poesia) e na Mangueira (Me leva que eu vou, sonho meu, atrás da Verde e Rosa só não vai quem já morreu). Teve como parceiros nas composições Jorge Macedo, Norival Reis, Tião Nascimento, J. Rodrigues, Grillo e Naldo.

Vou-me embora, vou-me embora
Eu aqui volto mais não
Vou morar no infinito
E virar constelação
(Macunaíma, Herói de Nossa Gente, Portela, carnaval de 1975)  

Agora está cumprida a promessa de virar constelação. Neste Dia das Mães, o intérprete de sambas antológicos, faleceu no Hospital Naval Marcílio Dias, no Rio de Janeiro. Quem já cantou as canções criadas por ele, sabe que o indesejável vírus jamais ofuscará o brilho do legado deixado por David Corrêa.



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